1. Por que medir

Toda organização que publica nas redes sociais já sente, de algum jeito, que “está funcionando” ou “não está funcionando”. O problema desse sentimento é que ele muda com o humor da semana, com o último comentário que alguém fez e com o post que por acaso viralizou. Medir é trocar o palpite por um registro. Este capítulo explica por que isso vale o trabalho, mesmo para uma organização pequena, com pouco tempo e sem ninguém de marketing.

Três situações que o relatório evita

Os casos abaixo são exemplos ilustrativos, inspirados em situações comuns.

A associação que publica todo dia e não sabe se alguém lê. Uma ONG de acolhimento de idosos publica fotos das atividades diariamente. A coordenadora acha que o esforço vale a pena, porque as pessoas “curtem”. O relatório mostra que as fotos de rotina têm poucas reações, enquanto os depoimentos de familiares são os que mais geram comentários e salvamentos. Sem a medição, a equipe continuaria gastando a semana nas fotos.

O pequeno negócio que impulsiona o que não vende. Uma doceria de bairro paga para divulgar o bolo mais bonito da vitrine. O relatório cruza as redes com o site e mostra que quase ninguém clica nele, e que os pedidos vêm de uma publicação simples com o cardápio da semana. O dinheiro do anúncio passa a ir para onde dá retorno.

A organização que desiste cedo demais. Uma associação de moradores publica durante três semanas, vê poucas curtidas e para. O histórico dos meses mostra que o alcance só começa a subir no quarto mês. Quem não mede abandona justo antes do resultado.

O ciclo: medir, entender, ajustar

O relatório mensal existe para fechar um ciclo simples, que se repete todo mês:

  1. Medir. Os números das redes e do site entram no sistema e viram o relatório.
  2. Entender. Você lê o que aconteceu, o que funcionou, o que não funcionou e por quê. É a parte em que o relatório ajuda e a sua experiência com o público decide.
  3. Ajustar. Você escolhe uma ou duas mudanças para o mês seguinte: um tema, um horário, um formato, um convite mais claro.

O mês seguinte começa com o relatório do anterior sobre a mesa, e o ciclo recomeça. Quem faz isso por seis meses sabe mais sobre o próprio público do que qualquer palpite.

Medir não é cobrar a equipe. O objetivo é aprender. Um número ruim é uma pergunta (“o que mudou?”), não uma sentença. Equipes que se sentem avaliadas escondem os números ruins, e aí o ciclo para.

O impacto na estratégia, no dia a dia e na reputação

Na estratégia, a medição mostra se o esforço está indo para onde dá resultado. Uma organização com pouca gente não pode estar bem em todas as redes. O relatório diz em qual vale concentrar, que assuntos o público pede e se as redes levam alguém ao que a organização mais quer: a inscrição de voluntários, a doação, o contato.

No dia a dia, ele reduz o trabalho. Em vez de decidir a pauta no escuro, a equipe parte do que já deu certo. Sobra tempo para produzir menos e melhor.

Na reputação, as redes são a vitrine da organização. É lá que o financiador confere se a organização está viva, que o voluntário decide se confia e que a imprensa procura uma fonte. Uma vitrine abandonada, ou que fala de assuntos que ninguém procura, passa a imagem de uma organização parada. Medir ajuda a manter a vitrine viva e coerente, e o relatório vira, também, uma peça de prestação de contas: mostra ao conselho e aos parceiros que a comunicação é gerida com método.

Ser visto, provocar reação e gerar resultado

Os números do relatório respondem a três perguntas diferentes, e confundi-las é o erro mais comum.

Nível A pergunta Exemplo do que se mede O que não prova
Ser visto Quanta gente viu? alcance, impressões que alguém se importou
Provocar reação Quem reagiu? curtidas, comentários, compartilhamentos, salvamentos que alguém fez algo fora da rede
Gerar resultado Quem fez o que queríamos? visitas ao site, inscrições, doações, contatos que o resultado veio só da rede

Uma publicação pode ser muito vista e ignorada. Outra pode ter poucos olhos e muita reação. E uma terceira pode ter reação moderada e gerar três inscrições de voluntários. Só a terceira muda a vida da organização. O relatório mostra os três níveis lado a lado para que ninguém tome o primeiro (o mais fácil de inflar) pelo último.

O caminho que o relatório acompanha

publicação  →  visita ao site  →  inscrição, doação ou contato
(a rede)       (o interesse)      (o resultado)

Cada seta é um ponto onde as pessoas se perdem, e cada ponto pede uma ação diferente:

  • Muita gente vê e quase ninguém clica: o convite da publicação não está claro, ou o link não está onde se espera.
  • Muita gente clica e quase ninguém se inscreve: a página do site, o formulário ou a mensagem precisam de ajuste.
  • Poucos veem, mas quem vê converte: vale ampliar o alcance dessa publicação.

Por isso o relatório não termina nas curtidas: o capítulo do site continua a história até a ação concluída. Veja como cada página aparece em Como ler o seu relatório, e o que cada termo quer dizer em Conceitos explicados.

Quem usa este manual

  • Quem recebe o relatório (diretoria, coordenação, conselho, parceiros) deve começar por Como ler o seu relatório.
  • Quem produz o relatório (a equipe de mídias sociais) encontra o passo a passo do mês em “O mês do analista” e os cuidados de rotina em Boas práticas.
  • Qualquer pessoa pode tirar uma dúvida rápida em Perguntas frequentes ou no Glossário.

Quer ir além do relatório?

Curso gratuito da RIT Redes Sociais na Mão: do Zero ao Impacto

O relatório mostra o que funcionou.

Para aprender a fazer mais do que funciona, a RIT oferece o curso gratuito Redes Sociais na Mão: do Zero ao Impacto, que ensina organizações e pequenos negócios a produzir conteúdo com direção: pauta, mensagem, imagem, vídeo curto, chamada para ação e rotina de publicação. O curso complementa o SocialReport: o relatório aponta o que o seu público valoriza, e o curso ajuda a produzir mais desse conteúdo, com menos esforço, para que os números do próximo mês reflitam o trabalho.


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