O site: as redes trouxeram resultado fora delas?
Todo cliente de redes sociais acaba fazendo a mesma pergunta: “isso traz resultado?”. Curtidas são bonitas, mas uma organização vive de coisas que acontecem fora da rede: alguém se inscrever como voluntário, fazer uma doação, pedir um contato, comprar na loja. O capítulo do site responde se a atenção conquistada nas redes está virando ação.
O caminho que o relatório acompanha é este: publicação → visita ao site → ação concluída.
O capítulo do site só aparece quando o site da organização está ligado ao SocialReport e houve visitas medidas no mês. Sem isso, o relatório sai sem este capítulo (e o sumário não o lista).
Antes de tudo: “Medição desde”
Em quase todas as páginas do capítulo você vai ver uma etiqueta amarela, “Medição desde 28/10”, logo abaixo do título.
O que ela quer dizer: a medição do site começou em 28/10, no meio do ciclo. Todos os números do capítulo cobrem só de 28/10 até o fim do ciclo, e não o mês inteiro. Por isso o relatório não compara com o mês anterior.
Esta é a leitura errada mais comum do capítulo: tratar um mês parcial como mês inteiro. Pouco movimento num mês de poucos dias não significa pouco movimento no mês. O primeiro mês completo é que serve de base para os seguintes.
Visão do site

A pergunta que responde: “Quanta gente passou pelo site, e como foi a visita?”
| Número | O que significa |
|---|---|
| Visitantes únicos | quantas pessoas diferentes entraram. Quando o número vem como “soma dos únicos de cada dia”, quem voltou em outro dia é contado de novo |
| Visitas | quantas vezes o site foi aberto. Uma pessoa que entra, sai e volta à tarde faz duas visitas |
| Páginas vistas | quantas páginas foram abertas ao todo |
| Tempo médio | quanto tempo, em média, cada visita durou |
| Páginas por visita | quantas páginas cada pessoa abriu, em média: mede o interesse em continuar navegando |
| Rejeição | a porcentagem de visitas em que a pessoa saiu na primeira página, sem abrir mais nada. Aqui, quanto menor, melhor |
| Novos / recorrentes | quem veio pela primeira vez e quem estava voltando |
| Visitas vindas das redes | quantas visitas chegaram de uma rede social |
| Conversões | quantas vezes alguém concluiu uma ação importante (veja “Conversões”, mais abaixo) |
Os cartões mostram, quando existe histórico, a variação contra o mês anterior e, para os principais, contra o mesmo mês do ano anterior. A faixa de texto embaixo resume em frases.
Por que importa: é o termômetro do site. Mostra se o endereço da organização é visitado e se quem chega encontra o que procura.
Decisão que ajuda a tomar: se a rejeição é alta e o tempo médio é curto, a porta de entrada (geralmente a página inicial) não está convencendo. Se a navegação é longa, mas ninguém converte, o interesse existe e falta um caminho claro até a ação.
Leituras erradas comuns
- Tirar conclusão de números pequenos. Com 15 visitas, “rejeição de 60%” quer dizer que 9 pessoas saíram na primeira página. Uma só visita muda a porcentagem em mais de 6 pontos. Só tire conclusão de porcentagem quando o número de visitas for grande o bastante para ela não oscilar com uma pessoa.
- Confiar no tempo médio com poucas visitas. Uma única visita de 12 minutos puxa a média de todas as outras para cima. No exemplo, uma única visita de 12 minutos na página de integridade pesa bastante nos 5 minutos e 15 segundos de média.
De onde vêm as visitas

A pergunta que responde: “Por qual porta as pessoas chegaram ao site?”
Há três grupos:
- Por tipo de origem: busca (a pessoa pesquisou no Google ou similar), acesso direto (digitou o endereço ou usou um favorito), redes sociais, campanhas (links marcados, explicados a seguir) e, quando existirem, outros sites e assistentes de inteligência artificial.
- Redes sociais: quantas visitas cada rede trouxe.
- Campanhas (origem - meio): as visitas que vieram por links marcados.
O que é um link marcado. É um endereço do site com uma “etiqueta” escondida que diz de onde o clique saiu: “Instagram, campanha do mês das crianças”. É a equipe que o gera, e deve ser usado em toda publicação que leve ao site. Sem a etiqueta, o sistema só enxerga que alguém chegou, e não de onde.
Por que importa: é assim que se descobre o que realmente traz gente. Muitas organizações descobrem que a maior parte das visitas vem da busca, e não das redes, e isso muda onde investir esforço.
Decisão que ajuda a tomar: em qual porta investir: melhorar a descrição do site para aparecer melhor na busca, ou publicar mais conteúdo que chame para o site.
Leitura errada comum: “as redes trouxeram só 1 visita, então não servem para o site”. Quando a publicação não usa o link marcado, muitas visitas que vieram da rede aparecem como “acesso direto”, porque o aplicativo da rede nem sempre avisa de onde a pessoa veio. O número de visitas das redes, sem link marcado, é subestimado. O relatório diz isso expressamente na análise: “0% dos links estavam marcados; o número real de visitas vindas das redes é maior do que o capturado”.
Das redes ao site

A pergunta que responde: “Quais redes, e quais publicações, trouxeram gente ao site?”
A página tem duas partes:
- Funil por rede: para cada rede, quantas pessoas o alcance das publicações atingiu, quantas visitas ao site vieram dela, quantas visitas por cada mil pessoas alcançadas (“Por mil”) e quantas dessas visitas converteram (concluíram alguma ação).
- Posts que mais levaram ao site: as publicações cujo link marcado trouxe visitas, com a campanha.
Exemplo de leitura do funil (números ilustrativos): “o Instagram alcançou 12 mil pessoas, levou 340 ao site e 18 se inscreveram” é o tipo de frase que o funil permite. No relatório de exemplo deste manual, as visitas são poucas porque os links não estavam marcados.
Por que importa: é a página que une as duas metades do relatório. Mostra se uma rede que alcança muito também leva ao site. Pode ser que uma rede de alcance menor traga mais visitas, e isso redefine onde se gasta energia.
Decisão que ajuda a tomar: escolher a rede e o tipo de publicação para os convites mais importantes (inscrição, doação, evento) e passar a marcar todos os links.
Leituras erradas comuns
- “Instagram: 0 visitas. Não funciona.” Sem link marcado, as visitas do Instagram podem ter sido contadas como acesso direto. Antes de concluir, olhe a cobertura de links marcados.
- “Por mil: —”. O traço aparece quando não dá para calcular (no exemplo, o Facebook não teve alcance informado). Não é zero; é “sem conta possível”.
Conversões

A pergunta que responde: “Quantas pessoas fizeram o que queríamos que fizessem?”
Conversão é uma ação importante concluída no site: enviar um formulário (voluntariado, contato, proposta), clicar no botão do WhatsApp, clicar no e-mail ou no telefone, chegar à página de agradecimento. A página mostra:
- Conversões: o total de ações concluídas.
- Taxa de conversão: o total dividido pelo número de visitas. Mostra de cada 100 visitas, quantas terminaram em ação.
- Cada meta, separada, com o número de conversões e a porcentagem das visitas.
Exemplo: 1 conversão em 15 visitas dá taxa de 6,7%. A conversão foi o formulário para voluntários.
Por que importa: é a medida do que a organização de fato conseguiu. Uma página muito visitada que nunca converte tem um problema (o formulário é difícil, o botão está escondido, o convite não é claro), e esta página é o que o aponta.
Decisão que ajuda a tomar: olhar qual meta converte e qual não. Meta com muitas visitas e nenhuma conversão pede revisão da página. Meta que nunca é usada pode ser tirada, ou o convite que leva a ela pode ser reforçado.
Leituras erradas comuns
- “Clique no WhatsApp é conversa realizada.” O clique mostra interesse, não que a conversa aconteceu ou que a pessoa foi atendida.
- “Taxa de 6,7% é ótima.” Com 15 visitas, é uma pessoa. Taxa de conversão só diz algo quando há visitas em volume.
- Nas lojas, o carrinho abandonado também conta como meta no sistema de medição, e por isso pode inflar as conversões: confira o número de pedidos na página de receitas.
Receitas pelo site (só para quem tem loja ou doação online)
Captura pendente. O exemplo usado neste manual é de uma organização sem loja, então esta página não aparece no relatório de exemplo. A imagem será acrescentada quando houver um relatório com receitas que possa ser anonimizado.
A pergunta que responde: “As redes e o site estão gerando dinheiro, seja de venda ou de doação?”
Aparece só quando o site tem loja (WooCommerce) e houve pedido ou carrinho no mês. Mostra:
- Pedidos realizados, a receita e o valor médio por pedido;
- Produtos mais vendidos e mais vistos;
- Carrinhos abandonados (a pessoa começou a comprar e não terminou) e o valor que ficou no carrinho;
- Receita por categoria de produto. A doação aparece como categoria própria, ao lado dos produtos, sem configuração extra;
- Vendas por origem, para saber qual rede trouxe quem comprou.
Por que importa: é a ponte entre a comunicação e a sustentabilidade. Mostra se as publicações ajudam a pagar as contas, e permite defender o investimento em redes com um número em reais.
Decisão que ajuda a tomar: o que promover (o produto muito visto e pouco vendido talvez tenha preço ou descrição ruim), em qual rede e se vale combater o abandono do carrinho (por exemplo, simplificando o pagamento).
Leitura errada comum: “pedidos realizados são dinheiro na conta”. Não. São pedidos feitos no site, e não pagamentos confirmados. Um pedido pode ficar sem pagar (o boleto vence, o PIX não é feito, o cartão é recusado). A própria página traz o aviso “Pedidos realizados no site, não pagamentos confirmados”. Para o valor efetivamente recebido, confira com o financeiro.
Conteúdo e público do site

A pergunta que responde: “O que as pessoas procuram no site, e quem são elas?”
- Páginas mais vistas: em quais páginas as pessoas mais abriram, com o tempo médio em cada uma.
- Páginas de entrada: por qual página a pessoa começou a visita.
- Downloads: quais arquivos foram baixados (estatuto, ata, relatório de transparência).
- Cliques em links para fora: quais links que levam para outros endereços foram clicados (WhatsApp, documentos compartilhados).

- Dispositivos: celular, computador ou tablet.
- Cidades e estados: de onde as pessoas acessaram.
Exemplo: das 15 visitas, 13 entraram pela página inicial, e o tempo médio ali foi de 5 segundos. 7 vieram de celular (46,7%).
Por que importa: mostra o que o público realmente procura, e não o que a organização imagina. Os downloads mostram o interesse por transparência. A origem das cidades confirma se o público é o que a organização atende.
Decisão que ajuda a tomar:
- Para onde apontar os links das publicações. Se quase todos entram pela página inicial e saem em segundos, vale levar a pessoa direto a uma página específica (a de voluntariado, por exemplo), e não à porta de entrada.
- Como desenhar o site. Quase metade vem de celular? Então o site precisa funcionar bem no celular antes de tudo.
Leituras erradas comuns
- “As porcentagens passam de 100%.” Na lista de páginas mais vistas, a porcentagem é a das visitas que abriram aquela página. Uma visita abre várias páginas, então as linhas somam mais de 100%.
- “Visita do exterior é público novo.” Para uma organização que atua numa região, acessos de países distantes costumam ser robôs ou curiosos. O sistema avisa a equipe quando esse tráfego passa de um limite; o aviso não vai para o relatório, mas vale desconfiar.
- “Tempo médio por página para todas as páginas.” Só as páginas mais vistas têm o tempo mostrado.
Linha do tempo das visitas

A pergunta que responde: “As publicações deram um empurrão no tráfego do site?”
A linha mostra as visitas por dia. As marcas laranja indicam os dias em que houve publicação nas redes. Embaixo, o dia de maior tráfego.
Por que importa: é a forma mais visual de ver causa e efeito. Se a linha sobe nos dias de publicação, as redes puxam o site. Se a linha não se mexe, as publicações não estão chamando para o site, por mais que tenham engajado.
Decisão que ajuda a tomar: repetir o dia e o tipo de publicação que fez a linha subir, e marcar o link nos que não fizeram.
Leitura errada comum: os dias antes da medição. No exemplo, os dias de 01/10 a 27/10 aparecem numa faixa cinza marcada “sem medição”, e a linha só começa no dia 28. Isso não quer dizer que ninguém visitou o site nesses dias: a medição só começou em 28/10 (veja “Medição desde”). Antes disso o dado simplesmente não existe, e não é tráfego zero.